Miguel Laguna, Advogado

Miguel Laguna

Mococa (SP)

Principais áreas de atuação

Direito Penal, 100%

É o ramo do direito público dedicado às normas emanadas pelo Poder Legislativo para reprimir os d...

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Miguel Laguna, Advogado
Miguel Laguna
Comentário · há 11 anos
Caro Jhonório! Já que você é contrário à redução da menoridade penal, vou colocar uma situação hipotética para análise: um menor pratica 10 assassinatos e fica apreendido por 3 anos ou no máximo até completar 21 anos de idade; pois bem: solto, ele mata mais uma pessoa. O que acontece com ele? Sua folha de antecedentes registra que ele é primário; portanto, seu passado é esquecido. Assim, considerando os considerandos, o juiz deverá aplicar ao dito cujo á pena mínima estabelecida no artigo 121 do Código Penal. Você acha justo isto, pois daí a pouco, ou seja, cumprida 1/6 da pena o fulano terá o direito à progressão para o regime semi-aberto. Pois bem: se ele praticou 10 homicídios antes de atingir 18 anos e mais 1 após, será que assim que for para o regime semi-aberto não reincidirá no delito? Eu tenho certeza que, nesta situação hipotética, o dito cujo com toda a certa matará o primeiro que encontrar.
Olha amigo Jhonório: eu nasci no ano de 1948 e confesso a você que naquela época e outros tantos anos seguidos a molecada era bem inocente; nos dedicávamos a jogar peões, bolinhas de gude, salva, pique, bola e outras coisas. Pelo que vejo hoje, a mesma molecada não faz mais isto. Você fala em educação; no entanto no dia a dia nos chegam notícias de alunos que chegam a agredir professores, ou seja, aqueles que estão tentando ensina-los. Sabe de uma coisa, amigo: não importa se segundo o IBGE apenas 0,5% do universo de tantos menores são infratores; importa, sim, que eles paguem pelos delitos que cometeram. Para concluir, penso que os defensores da não redução da menoridade penal só mudarão de ideia quando alguém de sua família ou eles próprios se submeterem a algum tipo de violência advinda do menor, por exemplo, uma mãe ou a própria filha serem estupradas na sua frente, ou elas serem assassinadas nas mesmas condições; aí, meu, pode te ter certeza que o próprio se arrependerá de ter contribuído para não resolver dita redução da menoridade penal.
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Miguel Laguna, Advogado
Miguel Laguna
Comentário · há 11 anos
Colega Pedro: parabéns pelo seu artigo. Infelizmente, ao pé da letra, ou seja, das disposições contidas nos artigos 28 e 33 da Lei Federal 11343/06, as sentenças aplicadas aos três personagens referidos foi correta mas evidentemente não foi justa. Às vezes, como você sabe, algum magistrado ou desembargador afronta a frieza da Lei e por conta própria resolve aplicar uma penalidade que embora não seja legal será justa. Assim, no dia a dia, ao buscarmos jurisprudências favoráveis ao cliente, encontramos dezenas a seu favor e outras tantas contrariando. Acredito que o caso relatado por você ainda não chegou a este ponto; então, fica difícil fugir do texto frio da Lei para desclassificar o delito de tráfico para consumo pessoal de entorpecente. No entanto, diante do fato concreto que você relatou, entendo que a melhor justiça a ser aplicada seria considerar os três como usuários; não seria legal, mas seria a melhor justiça.
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Miguel Laguna, Advogado
Miguel Laguna
Comentário · há 11 anos
Pois é Raphael: em parte você tem plena razão em seu ponto de vista sobre a redução da maioridade penal; mas acho que devemos refletir um pouco mais sobre o tema. Imagine você o Estado dar educação para alguém abaixo da linha da pobreza e quando este alguém chega em sua casa não tem nada para comer. Imagine, também, este personagem, inteligente porque o Estado lhe deu educação, ao assistir televisão depara com um monte de notícias sobre corruptos e corruptores, usufruindo de milhões de reais às custas do povo brasileiro sem que (por enquanto) nada acontece a eles. E não se esqueça que esses personagens, corruptos e corruptores, receberam boa educação do Estado. Pergunto a você: para que serve educação sem emprego, saúde, segurança, etc.? No meu humilde pensar, uma coisa depende da outra; funciona mais ou menos como uma engrenagem. Vou fazer mais uma pergunta: você acha que bandido tem cara de bandido? Respondo que não e vou dar a você um exemplo que aconteceu comigo; portanto é verídico: tempos atrás minha família e eu fizemos amizade com um novo vizinho; um casal com dois filhos. Eram extremamente educados e de uma fineza impar. O casal e seus filhos frequentavam minha casa e vice-versa; participamos, inclusive, de um aniversário na residência dos próprios. Certo dia, eles simplesmente desapareceram; sumiram. Aí, levamos um susto: a polícia bateu em nossa porta perguntando sobre os próprios e se sabíamos para onde foram. Nesse momento, tomamos conhecimento que o casal fazia parte de uma quadrilha de ladrões de carros. Entendeu, então, porque fineza, educação, etc. e tal também se encaixam no perfil de criminosos. Sabe, Raphael, o que eu penso sobre a demora em se resolver a questão da redução da maioridade penal? É porque evidentemente o custo para o Estado manter enclausurados mais alguns milhares de criminosos será exorbitante. A última pergunta pra você: imagine que você e sua família se encontram na cena de um crime (na sala de sua casa), cercados de um bando de menores com armas apontadas para as respectivas cabeças durante algumas horas; todos drogados, ameaçando (ou concretizando) estuprar sua esposa, mãe ou filha; aí a polícia chega, apreende todos os fulanos, leva-os à delegacia e, finalmente, os mesmos são liberados pois são menores de 18 anos. E se estes menores matarem algum ente querido seu? Vou encerrar, Raphael, dizendo que no meu ponto de vista a maioridade penal deveria ser reduzida para 14 anos, porém todos entre esta idade e 18 anos deveriam passar por uma perícia criminológica a fim de se verificar a possibilidade de recuperação dos mesmos. Neste caso, não se estabeleceria para eles uma pena concreta; a pena seria cumprida até que, em novo exame criminológico, demonstrassem estarem plenamente recuperados para retornarem ao convívio em sociedade. E mais: mesmo liberados, durante um bom tempo deveriam sofrer um acompanhamento pelo Estado. Tudo isto entendo ser uma utopia; mas é o que eu penso.
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